segunda-feira, 23 de abril de 2012

A triste história de lastros alagados e esquecidos


Lastros alagados por Três Irmãos

Em 1990, a represa de Três Irmãos, SP, inundou todo o ramal de Lussanvira, trecho que ligava Araçatuba a Lussanvira. Esse trecho foi completado em 1940, mas foi abandonado por passar por uma zona de malária muito intensa. O ramal funcionou até por volta de 1962, quando finalmente foi extinto e seus trilhos arrancados.

Esquerda: Lussanvira em 1967; Acima à direta, 2009; abaixo à direita, anos 1950

Estação Presidente Vargas

A estação de Presidente Vargas foi inaugurada em 1952, na cidade de Rubinéia. A estação e a cidade original acabaram inundados pela barragem, em 1973. Segundo outras informações, já em 1969 a estação deixou de atender aos trens, sendo o ponto terminal da Estação Ferroviária Araraquara transferido para a estação de Santa Fé do Sul. Sobraram, debaixo d'água, somente os pilares da estaçãozinha. Existe ali perto hoje a cidade de "Nova" Rubinéia. "Uma vez uma pessoa de lá me disse que na seca quando o nível da barragem desce é possível ver suas ruínas" (Rodrigo Cabredo, 2001)

Plataforma da estação Presidente Vargas em 1987
A chuva já acabou com muitas ferrovias no Brasil. Temporariamente ou definitivamente. As chuvas de 1974, por exemplo, acabaram com um ramal inteiro da E. F. Teresa Cristina, em Santa Catarina, que jamais foi refeito.Em 1983, as chuvas que deixaram boa parte dos Estados do Paraná e de Santa Catarina debaixo d'água foram uma excelente desculpa para que a RFFSA acabasse de vez com os trens de passageiros da ex-Rede de Viação Paraná-Santa Catarina. Há alguns anos, a linha Barra Mansa-Angra dos Reis  sofreu arraste de aterros e trilhos na baixada de Angra. Até hoje não circulam mais trens para Angra por causa disso. A FCA, responsável pela linha, jamais se preocupou em recuperar a linha. 

Fonte: 



domingo, 15 de abril de 2012

EXTRA! EXTRA! A chuva não me deixa passar!

Bom dia, boa tarde, boa noite!

Em época de chuva, principalmente essa em que o temporal resolve aparecer bem na hora que vamos sair do serviço ou da escola, podemos nos deparar com um problema pior do que chegar molhado em casa ou em outro local: NÃO CHEGAR.
Pois é. Algumas vezes, a chuva é tão forte, que as vias ferroviárias se enchem d'água e impossibilita a passagem de trem.
Hoje vamos ver algumas notícias sobre o fato:



16/03/2011

CPTM CONCLUI OBRAS DE CANALIZAÇÃO DO RIBEIRÃO IPIRANGA
A CPTM finalizou as obras de canalização do Ribeirão Ipiranga, localizado sob as vias férreas próximo da estação Mogi das Cruzes, na Linha 11-Coral [Luz-Estudantes].

Na última sexta-feira, dia 11, foram concluídos os serviços de limpeza do ribeirão e de retirada do canteiro de obras, ações que ficaram prejudicadas devido às fortes chuvas do início de março.

Com custo de cerca de R$ 3 milhões, o trabalho foi realizado num trecho de 40 metros do Ribeirão Ipiranga, que passa sob a via férrea, onde foram implantados dois túneis de 4 metros de diâmetro, substituindo os antigos que mediam 2,60 metros de diâmetro. Com isso, fica minimizada a possibilidade de alagamentos provocados por chuvas no entorno da via férrea. 


18/01/2011
Linha 10-Turquesa
Devido às fortes chuvas na tarde desta terça-feira [18], a circulação de trens na Linha 10-Turquesa [Luz-Rio Grande da Serra] esta sendo feita somente entre as estações Luz e São Caetano e Mauá e Rio Grande da Serra. A Operação PAESE [serviço de ônibus gratuitos] foi acionada para fazer o transporte dos usuários entre as estações São Caetano e Mauá. Os usuários estão sendo orientados pelo sistema de som das estações e trens.


12/01/2011

DEVIDO À ALAGAMENTO, CIRCULAÇÃO INTERROMPIDA ENTRE CAIEIRAS E FRANCO DA ROCHA
A CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos] informa que, devido ao alagamento na via entre as estações Caieiras e Franco da Rocha, na Linha 7-Rubi [ Luz-Francisco Morato], a circulação de trens nesse trecho está interrompida. Os trens circulam entre as estações Luz e Caieiras e entre Franco da Rocha e Jundiaí.

A Companhia acionou o sistema PAESE [transporte gratuito por ônibus], porém o alagamento, que atinge várias áreas do município, dificulta também a circulação dos ônibus. Os usuários estão sendo avisados por cartazes e pelo sistema de som das estações e trens.




11/01/2011

NOTA LINHA 7-RUBI
A CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos] informa que, devido as fortes chuvas durante a madrugada desta terça-feira, 11, a circulação de trens no trecho entre as estações Caieiras e Franco da Rocha, na Linha 7-Rubi [Luz-Francisco Morato-Jundiaí] está interrompida. A Companhia acionou o sistema PAESE [transporte gratuito por ônibus], porém, o alagamento que atinge toda a região dificulta também a circulação dos ônibus. [...]



fonte: http://www.cptm.sp.gov.br/e_noticias/webnoticias/news.asp

Unilaga comenta:

As notícias são somente do ano passado, mas sabemos que todo começo de ano é a mesma coisa: chove muito, acreditamos que seja o fim do mundo, quase não chegamos ao nosso destino. Nosso transporte demora para passar ou simplesmente é interrompida sua circulação.
Neste ano, por exemplo, pude presenciar trens extremamente lotados e com intervalos maiores devido as fortes chuvas!
Pelo menos, entre essas notícias, há uma boa: a das obras de canalização! Pelo que diz, minimizou a possibilidade de alagamentos nas proximidades da via férrea. Se quiserem estender as obras que minimizem as terríveis consequências das chuvas, a população adepta ao transporte ferroviário agradece!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tirando água da Via

Para aqueles que utilizam o meio de transporte ferroviário diariamente e tem dificuldades de locomoção quando ocorrem grandes tempestades, pode parecer que o problema das enchentes e excesso de água prejudique apenas na movimentação dos trens. Então, a fim de mostrar que as inundações não afetam apenas a operação propriamente dita, aqui vai algumas explicações sobre o que está por trás (ou por baixo, se você preferir) das ferrovias.Infraestrutura FerroviáriaA infra-estrutura ferroviária o conjunto de obras implantadas em uma faixa de terreno, destinadas ao estabelecimento e à proteção do caminho de rolamento da via. É a preparação do solo para receber a via permanente. Segundo Lima (1998), “A infra estrutura tem papel fundamental na estabilidade da via, pois sendo ela a base da ferrovia, toda a super-estrutura a utiliza como apoio e conseqüentemente qualquer alteração na infra-estrutura terá reflexo na superestrutura". A infraestrutura é composta por seções de terraplenagem, obras de arte especiais, obras de contenção e sistemas de drenagem, sendo este último o que vamos abordar.

O que é? O Sistema de Drenagem é composto pelos equipamentos que visam promover o escoamento satisfatório da água proveniente das chuvas. Por que é importante a drenagem da água na ferrovia?Sua importância se deve ao fato de que a água acelera o processo de degradação da via, principalmente do lastro e dos dormentes. O alagamento da via permanente também prejudica a operação pois diminui o atrito prejudicando o contato roda-trilho. Com isso em determinados trechos, quando da presença de chuva, se faz necessária a utilização de areia para restabelecer o coeficiente de atrito, o que também acelera a degradação da via, neste caso sendo o trilho e o lastro os mais prejudicados. O alagamento pode também, em alguns casos, promover ocupação do circuito de via, o que impede a visualização correta da posição do trem pelo centro de controle operacional.

O sistema de drenagem protege também os cortes e aterros, pois o mau escoamento das chuvas pode levar a deslizamentos, erosões, corrida de detritos etc.

Principais componentes de um sistema de drenagem: 
  • Drenos - São perfurações preenchidas com material drenante, no interior das quais pode-se instalar um tubo perfurado. Sempre são utilizados em conjunto com as canaletas. Sua função é captar a água dentro do maciço, tanto para alívio de pressões decorrentes de artesianismo como abaixar o nível da água próximo à superfície ou estabilizar maciços de solos saturados submetidos a fluxo de água, interceptando esse fluxo em profundidade e conduzindo-o até a superfície 
  • Bueiros - também chamados de valetas, sarjetas ou sumidouros, são as valas, geralmente localizadas ao longo das vias pavimentadas, para onde escoam as águas da chuva drenadas pelo meio-fio. 
  • Canaletas - são cavas executadas a céu aberto, de seção trapezoidal, podendo ou não serem revestidas. Nos rebaixamentos, ela transporta a água proveniente dos mesmos, acrescida das águas de chuva, para fora da obra.
Bueiro e canaleta em ferrovia
No postagem anterior foram abordadas possíveis formas de amenização das enchentes nas cidades, o que consequentemente ajuda a diminuir as inundações nas ferrovias. Uma outra forma de atuação, mais direta da própria empresa de transporte ferroviário, poderia ser na pesquisa e estudo de implantação de melhores métodos para drenagem da água na via permanente, que em teoria seria mais prático por ser menos dependente de uma fator externo como o governo. Ainda assim, há casos em que apenas a atuação conjunta de Estado e empresa pode resolver ou amenizar o problema.








segunda-feira, 2 de abril de 2012

Solução Para os Problemas de Enchentes

O site de notícias G1, fez uma pesquisa com especialistas, arquitetos e engenheiros para saber quais suas propostas para minimizar os efeitos das enchentes na cidade.

Eles apontam que a impermeabilização do solo e a ocupação irregular são os principais causadores dos alagamentos que atingem a região metropolitana. As soluções encontradas pelos especialistas refletiriam nos problemas encontrados na ferrovia, ajudando a acabar com o alagamento das vias.

Propostas de Mario Thadeu Leme de Barros, doutor em sistemas de recursos hídricos e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo :

  • Obras de drenagem trabalham com um determinado critério de segurança em relação ao nível de chuva. Se as chuvas forem mais críticas do que a previsão adotada no projeto, as obras não vão funcionar bem.
  • Política de uso do solo e reduzir a impermeabilização:É necessária uma política de ocupação do solo que não agrave a questão da impermeabilização. 
  • Melhorar o sistema de alerta e monitoramento de cheias para ajudar a minimizar os impactos das chuvas.
  • Sistema de atendimento de situações emergenciais que possa entrar em funcionamento em situações extremas
  • Conscientização da população sobre o destino de lixo, que também favorece as enchentes. 

Propostas de José Rodolfo Scarati Martins, especialista em drenagem urbana e ex-coordenador de projetos do Centro Tecnológico de Hidráulica do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado
Construção de mais piscinões. 

Para Mônica Amaral Ferreira Porto, professora de Engenharia Hidráulica da USP), o aumento da retenção de água também é o melhor caminho. "Com uma área urbana tão grande, em que todo o escoamento flui para um único canal que é o Tietê, sempre teremos problemas sérios. "

  • Aponta como solução aumentar a volume de água retido nos piscinões
  • Aumentar as áreas permeáveis com o uso de pavimentos permeáveis ou áreas ajardinadas
  • Reter a água nos lotes ( por exemplo, armazenar a água da chuva para uso posterior ou infiltrar a água que escoa dos telhados).
  • Programas de operação e manutenção de bocas-de-lobo e galerias, 
  • Controle de ocupação da várzea
  • Sistemas de alerta para aviso da população. 
Jorge Wilheim, Arquiteto, urbanista e ex-secretário municipal de Planejamento, diz que o primeiro passo é desassorear os rios Tietê e Pinheiros, ou seja, retirar a terra que reduzir a vazão dos locais. 



terça-feira, 20 de março de 2012

"170 anos de projetos contra enchentes em SP" - O Estado de S.Paulo


Em 1963, a Câmara Municipal montou uma CPI para apontar as falhas das obras contra as inundações, que remontam a 1841. A leitura do trabalho joga luz em um problema histórico - as causas das cheias, os danos e as promessas são sempre os mesmos


Rodrigo Brancatelli - O Estado de S.Paulo


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"As enchentes são históricas, verificadas desde os primeiros tempos de colônia. Anualmente, o espetáculo se repetia em toda a extensão da grande várzea; deixando em seu leito normal, o rio ocupava a planície ribeirinha, transformando essa porção da cidade em vasta e malcheirosa lagoa." A frase, que poderia muito bem ter sido publicada nas páginas deste jornal nas últimas semanas, foi escrita no relatório de 1963 pelo então presidente da Comissão Especial da Câmara, o vereador Figueiredo Ferraz.
O trabalho de Ferraz e de outros seis vereadores no relatório de 1963 foi tentar descobrir os motivos de as obras de retificação dos Rios Tamanduateí e Tietê não surtirem os efeitos esperados. Não há respostas satisfatórias, diga-se. Mas a leitura hoje da reuniões da comissão serve para jogar luz em um problema secular, como pode ser visto abaixo - seja na década de 60 ou em 2011, as causas são as mesmas, os danos iguais e as soluções ironicamente idênticas.


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Problema recorrente. Desde 1841, ou há 170 anos, o governo municipal investe em obras para tentar remediar as inundações da região central - o primeiro planejamento de canalização do Tamanduateí deve-se ao engenheiro Carlos Abraão Bresser. Em 1921, foi a vez do prefeito Firminiano Pinto defender a necessidade da canalização do Tietê, desde Guarulhos até a Lapa. "Com 85% das obras concluídas, as inundações continuam a castigar a cidade e sua população, acarretando prejuízos imensuráveis", escreveu o vereador Figueire do Ferraz em seu relatório. "E parece que as inundações aumentam de ano a ano, motivando um justo e revoltado clamor popular."


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Assoreamento. Atualmente, os 70 grandes rios, córregos e galerias que deságuam no Rio Tietê contêm, juntos, pelo menos 364,7 mil toneladas de areia e lixo acumulados nos leitos . Com as últimas chuvas, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) definiu como medida urgente a retirada desses 4,2 milhões de metros cúbicos em detritos do Tietê neste ano. Segundo o governo, no ano passado foram retirados apenas 1 milhão de metros cúbicos. Em 1963, de acordo com dados da CPI das Enchentes, o assoreamento era calculado em 120 mil metros cúbicos por ano. "Chegamos à situação de precisar manter uma drenagem permanente de 1,5 milhão de metros cúbicos por ano, tanto quanto é feito pelo Porto de Santos", disse o prefeito Prestes Maia. "Vamos manter cinco dragas e seis escavadeiras para o trabalho. Além dos problemas dos rios, há o dos córregos, bueiros e galerias pluviais, a limpeza foi desleixada durante várias administrações."


Problema sem fim. Durante o seu depoimento na CPI das Enchentes, o prefeito Francisco Prestes Maia já chamava a atenção para a urbanização desenfreada da Grande São Paulo. "Há um fator de inundações quase irremediável, a urbanização crescente do alto Tietê e do ABC", disse. "São feitos arruamentos, terraplenagens, cortes de matas, aterro das várzeas e, por consequência, desaparecem aqueles bolsões que retinham as águas. Isso cria situações trágicas para a capital", afirmou o prefeito. O próprio Prestes Maia define perfeitamente a relação dos paulistanos com os rios da cidade. "É o próprio homem que provoca e que age contra o rio, é o homem que lhe faz violência, que lhe estreita o leito e retira os reservatórios que ele naturalmente fizera", disse ele aos vereadores da CPI. "Estamos a dançar o minueto: dois passos para frente e dois passos para trás", disse Prestes Maia.


Fonte: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/13980
Acesso em 20/03/2012


Unilaga Comenta:


Urbanização desenfreada
Ocupação desordenada das margens dos rios
Grande quantidade de lixo (necessidade de drenagem)


Com o relatório de 1963 do vereador Figueiredo Ferraz, percebemos que as inundações em São Paulo não são novidade. A urbanização desenfreada, a ocupação desordenada das margens, grande quantidade de lixo que são jogadas nos rios juntamente com a falta de drenagem desses, faz com que as inundações sejam mais frequentes quando chove.


Na ferrovia, essas inundações afetam a circulação de trens não apenas de passageiros, mas também de carga. Isso dificulta a vida do usuário.De qualquer forma, atuar junto às autoridades públicas para que, de forma preventiva, os pontos de enchente que impedem a circulação dos trens de passageiros sejam sanados, antes das chuvas de verão do próximo ano, é dever do sindicato dos ferroviários, das associações de usuários de trens, e da própria administração das empresas ferroviárias.


terça-feira, 13 de março de 2012

Olá, Comunidade!
Estávamos nós, Thais, Camila e Gabriela, sentados no nosso canto, quietas (ou nem tanto!), numa aula de Educação Ambiental (EDUA) no Centro de Formação profissional "Engº James C. Stewart", quando a professora Evelin, responsável atual pela disciplina, nos fez uma proposta um tanto quanto inusitada: escrever um blog que relacionasse alguns problemas ambientais com a malha ferroviária paulista, mais especificamente da Grande São Paulo e regiões próximas para um trabalho de fim de curso. E aqui estamos nós para tentar mostrar um pouco do nosso tema, que envolve as inundações e enchentes que atrapalham o transporte de passageiros pelas ferrovias. 
Tentaremos mostrar um pouco como é a situação em algumas estações, e tentar propôr soluções para  minimizar os transtornos que os passageiros enfrentam quando os céus resolvem desabar. E quem sabe, no final, ainda fazer um samba sobre isso tudo! 
Boa Leitura!!!